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Na minha volta ao Brasil, nenhuma notícia me deixou mais perplexa do que a Justiça brasileira negando a paternidade. E nenhuma me deixou mais feliz do que a decisão do STF de reverter isso.

Sean tem que voltar para os Estados Unidos. Ninguém, nem mãe nem avó, tem o direito de sequestrar o filho do convívio com o pai (a menos em casos extremos de abuso, violência, etc). O pai é tão pai quanto a mãe é mãe, e se no Brasil a paternidade não é respeitada nem por pais nem por mães, que fique o exemplo de David Goldman, que valoriza, respeita e luta pelo direito que tem de ser pai.

O caso é simples. Se um pai sequestrasse o filho do país onde a mãe morava, ninguém questionaria o direito da mãe de rever o filho. Se depois o pai falecesse, ninguém questinaria o direito dessa mãe de ter a guarda total do filho. É igualzinho para o pai.

Invertamos a história. Digamos que fosse David quem tivesse ido embora para os Estados Unidos levando o filho. Depois morresse, e sua mãe (a outra avó de Sean) exigisse que a criança fosse criada lá, com a madrasta. E a mãe ficasse o tempo todo exigindo na Justiça o direito de trazer o filho para casa, mas a Justiça Americana negasse esse direito. Seria um pandemônio.

A carta da avó de Sean ao presidente Lula diz “nossa formação valoriza o papel da mãe” e que “na ausência da mãe, a criação incumbe a avó”. Tá errado. E não é o que diz a lei. A lei proteje a relação do filho com o pai.

Mas é possível entender como a Justiça brasileira pode ser capaz dessas sandices que vimos nesse caso, e como a mídia brasileira pode ser machista e xenofóbica ao cobri-lo, considerando que o próprio presidente é autor da seguinte frase: “De vez em quando eu digo que a Marisa foi a mãe e o pai dos meus filhos. Primeiro, pela minha atividade sindical, eu não estava junto com ela em nenhum momento em que nasceram os meus filhos. Depois, eu nunca estava em casa para ver o boletim da molecada, para ver se estava tudo bem na escola ou se não estava bem”. Ou seja, o Lula não foi pai.

O seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, governou o país por 8 anos sem reconhecer legalmente seu filho, morando na Europa com a mãe, e a mídia nacional não fez um piu. Ou seja, Fernando Henrique não reconheceu a sua partenidade nem legalmente.

Meu pai não só corrigia minhas redações como cozinhava o jantar e limpava a casa. Talvez por isso para mim não exista sombra de dúvida nesse caso.

Este post é dedicado a alguns pais maravilhosos:

Adrian Garda
Andy Scott
Bruno Prieto
Eduardo Garda
Leandro Fortes
Marcelo (El Negro Mozambique)
Marcelo Nunes
Maximo Migliari
Olímpio Cruz
Raphael Fontes
Roberto Grosman
Walter Sotomayor

O amor não é contínuo. Amor é começo e fim para sempre.

Por muito achei que eu era torta, porque por mais que amasse um homem, em determinados dias ou momentos não o amava nenhum pouco. Olhava, olhava, puxava mas não adiantava, o amor não estava lá. Depois ele, o amor, me surpreendia, nos encontrávamos de novo como se nunca nos tivéssemos deixado.

O fim é parte do amor. Do amor que acaba e do amor que continua. Aliás, só continua, se volta depois que acaba, mesmo que tenha se acabado só por uns minutos. E se não volta, é só isso. Acabou para começar de novo, provavelmente com outra pessoa.

O Breno (Coisa de Homem) e eu decidimos escrever sobre o fim, sobre quando ele não volta depois que acaba. Acontece. Não tem erro. Mas é um erro terrível o apego ao que se acaba, seja o estado de amor, seja o amor por completo.

O apego ao amor é por si maluco, porque o amor muda o tempo inteiro, e é só assim que ele acontece. O amor muda a gente e a gente muda o amor. A menos que se empaque. Aí, a gente tenta fazer o amor ficar parado, reto, contínuo, coerente, absoluto. Então ele morre e, para piorar, a gente se agarra ao cadáver e anda por aí assim mesmo, abraçado num morto, porque o amor de ontem não existe.

O amor acontece. O tempo todo. Cada minuto de amor, passa. E passa para outro minuto de amor chegar. Se não passasse, não vinha outro, e o que seria da gente, então?  Deixa o amor ir embora. É assim mesmo. Ele sempre volta. Para a mesma pessoa ou não.

Para falar de amor, ninguém, ninguém mesmo, conseguiu ser melhor que o Neruda:

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.

freeGeisy

Geisy-branca-alta

Post queimação e quem propôs fui eu: o tema de hoje com o Breno do Coisa de Homem é sobre os encontros que acontecem entre duas pessoas muito bêbadas… Eu não sei nem por onde começar.

O Maurão, o Beto, o Ju e o Leandro, todos, em diferentes momentos da minha vida, já descreveram a minha cara quando eu estou afim de um cara. Todos eles acham a minha cara, nessa situação, muito engraçada. Aparentemente, não resta qualquer espaço para dúvidas, é só olhar para a minha cara para saber que estou a fim do cara. Por razões óbvias, eu nunca vi a minha cara quando estou seduzindo alguém, mas confio neles quando dizem que conseguem saber do outro lado da festa o que está acontecendo. Já ouvi reprimendas por causa dessa minha cara óbvia, mas a verdade é que acho muito bom. Se estou seduzindo alguém, quero mais é que ele saiba e, engraçada ou não, minha cara é muito eficiente.

É claro que, sob o efeito do álcool, essa minha cara deve ficar ainda mais óbvia e engraçada. Em retrospectiva, vários dos meus encontros amorosos se deram entre pessoas sob o efeito do álcool. Ou seja, os homens que passaram pela minha vida foram seduzidos por essa minha cara engraçada, talvez ainda mais engraçada que o normal. Olhando em minha volta, concluo que é a mesma coisa para quase todo mundo. Acho, aliás, que isso está diretamente relacionado ao porque de tantos encontros darem tão errado. De todas as formas, é muito engraçado. Porque a humanidade se repete em desatinos.

Em especial o que posso observar, no meu caso, sobre situações de sedução etílica, é que eu fico especialmente suscetível a cantadas cretinas. Porque cantadas cretinas são engraçadas. Talvez eu simplesmente goste de cantadas engraçadas, e os homens fiquem mais propensos a fazê-las quando tomam uma cerveja. Eu sou brasileira, não sou personagem de filme de arte francês, e sedução para mim não acontece com olhares lânguidos e cara de poucos amigos em meio à discussão de crises existenciais com comentários sarcásticos em tom de voz baixo. Sedução para mim acontece com homem fazendo cara de cachorro-sem-dono-safado-e-doce e, de preferência, dizendo algo engraçado.

O maior perigo da sedução bêbada, eu acho, é a repetição do erro. Talvez esse seja o aspecto mais fascinante e caricato. Porque os erros a gente sempre repete. Mas os erros de sedução bêbada são bastante intrigantes.

Mulher homem errado – No meu caso, eu posso repetir o homem errado. Ficar de novo com um rolo, quando nós dois já sabemos que vai dar errado e que, por um motivo ou por outro, não deveríamos nunca ficar juntos. Estas ficadas podem ser uma grande ameaça a sólidas amizades que jamais deveriam ser ameaçadas. E, em geral, nesses casos, a culpa é totalmente minha.

Mulher ressaca moral – Tenho uma amiga que todo final de semana sai para dançar e bebe bastante. Ela dança muito bem e é muito bonita. Em determinado ponto da noite, ela começa a fazer caras e bocas e beija algum cara. Chega um ponto da noite em que ela vai beijar alguém, não importa muito quem. Não faz sexo com eles, o que provavelmente deixa alguns deles bem decepcionados. Ainda assim, SEMPRE, no dia seguinte, ela é acometida de uma ressaca moral interminável. E, SEMPRE, no final de semana seguinte, faz a mesma coisa.

Mulher call center – Tenho uma amiga que, se bebe, liga. Liga, manda mensagem, deixa scrap. Ela se transforma num call center às avessas, e em geral só sabe o que disse se foi por escrito e pode achar depois em algum dispositivo online ou página da internet. Não tem como evitar, ela vai ligar sim de novo se beber. Ela inventou o drunk dial. Uma vez ela teve um blackberry mas felizmente desistiu disso. Com o blackberry ela ficou impossível, pois podia ligar, mandar mensagem, entrar no chat, mandar email e deixar scrap na mesa do bar.

Mulher festa do trabalho – Tenho uma amiga que todo ano, não importa em que trabalho esteja, toma um porre na festa de final de ano da empresa e… beija alguém do trabalho. Na pista de dança, na frente de todo mundo. TODO ANO.

O texto desta semana com o Breno é sobre Aids e camisinha, e abaixo segue uma história real, como só poderia ser, já que o blogjob é todo baseado em mulheres reais. Os nomes foram alterados, mas só isso. Patricia e Victor existem. Jordi morreu. Este não é um texto com opiniões, não é uma discussão, não tem conselhos. É só um conto. Só a primeira vez em que vamos falar de Aids e camisinha aqui. Até junho de 2007, mais de 205 mil pessoas morreram de Aids no Brasil. Segundo a página do Ministério da Saúde, foram identificados 314.294 casos de aids em homens e 159.793 em mulheres. Em 1985, havia 15 casos da doença em homens para 1 em mulher. Hoje, a relação é de 1,5 para 1. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a partir de 1998, a maioria dos casos é entre mulheres. Não deixem de ler o texto do Breno no Coisa de Homem, é espetacular.

Punk

Eles se conheceram no metrô de Barcelona. Patricia andava por ali, passos ritmados, sem vontade, a caminho de mais uma aula no curso de pedagogia. Das mãos, que balançavam acompanhando o ritmo dos quadris sensuais e belos, saltavam unhas irregulares e dedos frágeis, exageradamente brancos, com a pele fina, transparente como um feto. A boca grossa, bem desenhada, luzia na cara.

Perdia-se na massa que percorria o túnel do metrô, apenas uma catalã bonita de cabelos sujos, pintados de ruivo, dona de um corpo bem feito que nunca fez ginástica.

Jordi estava agachado no chão. A mão direita, morena, com dedos finos e arredondados nas pontas, como os de Patricia, estava erguida, estirada pra cima. Pedindo esmolas, chamava a atenção dos que passavam com seu cabelo sujo organizado num moicano pintado de azul e as sobrancelhas, desenhadas como as de uma mulher, espetadas com alfinetes de prender fraldas de neném.

A pele moura ficava realmente bela com transparentes olhos verdes, mas esses ninguém via, porque não havia razão para olhar nos olhos mais um punk na Espanha dos últimos anos 90.

Ela parou e lhe deu umas moedas. Eles se olharam, sorriram e se apaixonaram, assim, sem mais pedir um do outro.

Patricia ficou ruborizada, e tomada pela razão que tantas vezes não admite o amor, se despediu e saiu andando pelo corredor de azulejos encardidos em direção ao trem. Não viu que ele corria refazendo seu caminho, e se surpreendeu quando, alguns segundos depois, o amor veio pegá-la pelo braço. O punk, sorrindo, pediu para conversar.

Ela encarou Jordi por entre as lentes dos óculos de armadura em tom perdido, algo entre laranja e vermelho, como seus cabelos. E sorriu doce, aceitando o convite em catalão e perdendo de bom grado o trem pra pedagogia.

Foram pra praça Catalunia, no centro da trabalhadora Barcelona, um dos berços da burguesia espanhola, quiçá da burguesia européia, tomado de assalto por uma juventude vinda de todos os lados, viciada em expressar visualmente sua falta de lugar no mundo.

Desconstruindo seu corpo sujo, Jordi fazia arte catalã à sua maneira, mesmo porque nunca se emocionou com Miró, achava Dali muito bicha e gostava do Gaudí do mesmo jeito que um dia havia gostado do Barça, porque os dois representavam seu país, que nunca foi a Espanha, mas a Catalunia. Fazia arte com uma estética escolhida com quase vinte anos de atraso.

Jordi caprichava no movimento das mãos e no charme do olhar enquanto fumava com Patrícia na saída do metrô. Entre turistas, yuppies, imigrantes pobres com feições indígenas e árabes, putas do leste europeu com corpos esculturais e pele muito branca, putas da África com corpos esculturais e pele muito negra, americanos de bermuda cáqui, europeus com roupas de revista e todas as variedades de alternativos, cercados por prédios altos onde grandes decisões corporativas nos andares de cima se mesclavam com ondas de compulsão consumista nas lojas de departamento dos andares de baixo, combinaram um encontro mais tarde na praça do trip.

Naquela noite, sentados nas escadas de concreto da tal praça, esta cinza, suja, escura, em torno das quais pequenos bares reuniam a boemia sem dinheiro da cidade, eles se beijaram. O mundo parou.

As dores de Jordi foram as suas daquela madrugada em diante. Outras dores de Patricia foram também aquelas que Jordi a fez sentir. Nunca foi tão pura, tão santa, tão mulher, tão virgem, quanto na vida ao lado dele, vivendo as dores de um homem.

Encontraram a felicidade reservada aos mártires do amor católico, desta vez, abençoado num apartamento sujo, grande e velho. Ela, mártir dele e de suas dores. Ele, mártir da doença.

Desde sua construção, há mais de cento e dez anos, o apartamento alugado por Patricia nunca fora reformado. Depois de um século, aquele espaço todo entre o teto alto de gesso enfeitado e o chão de diferentes padrões de azulejos decorados estava, finalmente, repleto de amor.

Cento e dez anos de casamentos frios, de solteironas sofridas, de punheteiros abandonados com seus membros sem imaginação. Cento e dez anos de uma frigidez que, parecia, nunca se despregaria das paredes.

Despregou-se. Deu lugar aos gritos histéricos que só pode inspirar o prazer proibido. Cada orgasmo era uma afronta.
Todo o amor era improvável.

O sexo finalmente rompia o proibido, sem que o gozo jamais rompesse a camisinha. Cinco anos e nenhuma camisinha estourada. Cinco anos e nunca sua saliva molhou a vulva daquela santa. Sua porra jamais lhe molhou as coxas, a cara, as mãos. Amor sem porra, ou amor com porra educada, sempre contida num véu de látex.
A rotina dos exames de Aids instalou-se na vida de Patricia, sem que ela se importasse.

Ela soube nas primeiras semanas de namoro que Jordi tinha a doença. Sentiu medo, mas não foi nada como o chão se abrindo embaixo de seus pés, com certeza. Se apaixonou, afinal, por um cara na hora em que ele pedia esmolas, sujo, com o corpo cheio de furos, no chão do metrô. Sim, porque naquele mesmo dia em que ele estirou os braços pra pedir esmolas, tirou mais tarde o casaco de couro na praça. E, descuidado, revelou outros furos que não tinham sido feitos na pele por alfinetes, mas por seringas. Eram alguns, roxos, marcando as juntas dos braços. Buracos pra heroína passar.

Aquela doença, na vida de Jordi, era lógica. A infância entre marroquinos e ciganos no subúrbio foi sujeita aos porres da mãe prostituta. Ainda moleque fugiu das surras, assim que as pernas lhe alcançaram os passos necessários. Aos treze anos já dormia na rua, onde encontrou uma paz pra dormir que nunca teve na sua cama.

Aos 20, quando conheceu Patricia, tinha sete anos de rua. Na rua aprendeu a viver dos restos que a burguesia aprendeu a gerar na Catalúnia muito antes de fazê-lo em quase todo o resto do mundo. Nas ruas descobriu as esmolas e os furtos pra pagar a heroína. Aos 15 anos descobriu a Aids. Jordi era um punk atrasado na história, mas foi vanguardista da doença. A Aids veio sem drama. Não dava para ser punk e sentir medo de morrer. Tudo fazia sentido naquele mundo que era o único que conheceu. Até conhecer Patricia.

Aos 20 anos, Jordi conheceu o amor. A garota catalã acabava de sair da casa dos pais, e ele deixou o prédio abandonado que ocupava com outros neo-punks no bairro de Gracia para viver com ela. A amiga do curso com quem tinha alugado o imóvel saiu em poucos dias, horrorizada com aquele homem. Outras pessoas saíram de sua vida. Preencheram eles os metros de apartamento e ali diferentes amigos do casal, quase sempre junkies, alugaram o segundo quarto.

Dividiam jantares leves, porres de cidra, noites ao som de Sex Pistols gravado em fitas cassetes tocadas num aparelho de som pouco confiável. Pintaram um símbolo tribal gigante na parede de frente pra lareira de mármore. E Jordi fez crescer um mar de pés de maconha, todas fêmeas, na varanda imensa do apartamento grande. Foram felizes. Muitas vezes. E miseráveis, muitas outras.

Aquele amor ensinou ao punk as melhores sensações que já tinha experimentado, ao preço das melhores sensações que conhecia. Era o amor ou a heroína. O amor ou o existencialismo das ruas. O amor ou o prazer da destruição. E esse prazer não é pouco.

A cada tanto Jordi se desligava de Patricia, de todo aquele amor que, apesar de tanto, não conseguia lhe dar tudo, pra se preparar pro seu pulo no abismo. Ele pulava parado, escorado em alguma rua mijada e cheia de ratos, onde a heroína encontrava velhos buracos pra entrar. Entrava e reinava.

E o raio da heroína que, apesar de tanto, não conseguia lhe dar tudo, ainda convidava para a festa manchas rosas que lhe cobriam a pele e ardores de febre que lhe faziam ver a morte. E a morte nunca o havia assustado antes. Mas agora ele conhecia Patricia. A garota aquele dia no metrô lhe roubou, com uma esmola, o direito de morrer em paz.

Jordi voltava para o apartamento centenário, feito um trapo, fétido, enfermo, desgraçado. E Patricia, luzindo inteira, não só a boca carnuda, mais branca e míope que nunca, abria a porta.

Patrícia nunca se sentiu especialmente boa em nada. e, como não se achava grande coisa, não chamava muita atenção dos homens. Nunca teve uma grande paixão, as causas não lhe moviam, não gostava de esportes. Bebia pouco, não fumava maconha, só cigarro. Começou a trabalhar cedo como babá, para fazer bicos, e não parou mais embora nunca tenha encontrado muito prazer nisso.

Agora, imbuída de um poder como divino, sentia uma força que nunca tinha sentido em sua vida frágil que, sem Jordi e suas dores, não conhecia qualquer sentido. Por cinco anos ela cuidou das crises em que o corpo berrava pra agulha entrar nos buracos do braço do seu homem. Ele urrava na cama, suava, delirava. Ela trancava portas e janelas para ele não sair nem pular. Chorava, sofria e virava o trapo que ele era.

Ele acordava, um dia, como curado, dono de um amor grato que já não era o maior que aquele apartamento tinha visto. Era o amor maior daquele bairro inteiro. E o bairro era medieval.

Recorria ao AZT e não faziam sexo por um tempo. Até o remédio reduzir tanto a carga viral que ela não era detectável, embora ele continuasse contaminado. Os pés de maconha cresciam mais frondosos na varanda e ele não usava nenhuma droga além de sua erva cultivada e de boas bolas de haxixe misturadas em cigarros de tabaco, goles de cidra, café, açúcar e, de vez em quando, coca-cola.

Os amigos apareciam no apartamento com seus problemas e riquezas. Foram tantos, tão soltos na vida, passando por aquele apartamento enorme, que o sótão foi-se enchendo de mochilas e bolsas fétidas. Cada um que pedia para guardar ali alguma coisa agia como se fosse voltar logo. Alguns sumiram, alguns foram presos, outros morreram. Mas a maioria acabava mesmo era esquecendo onde tinha largado o que tinham deixado no sótão de Jordi e Patricia. Com o tempo, os dois também não sabiam mais o que estava lá. E as coisas iam perdendo o cheiro. Ficavam só coisas. Muitas coisas.

Chegaram os parentes. Quer dizer, as irmãs e o irmão.

As duas irmãs de Jordi se acercaram por gratidão a Patricia. Canonizaram a garota, como ela bem merecia, e reaprenderam a amar o irmão. Uma delas, descobriria depois, também tinha Aids. Nunca usou heroína, pegou do marido que tinha injetado cocaína há muito tempo.

O irmão dela chegou porque precisava de um lugar pra dormir. Foi um encontro incrível. Victor era um neo-hippie. Veio de chinelas de couro, cabelo comprido, roupa bordada. Fedia como Jordi, mas tinha outros hábitos. Heroína, nem pensar. Sua praça também era outra. Ía pro parque da Ciutadela encontrar os seus. Eles gostavam de tocar percussão. Organizavam vários tambores numa performance desastrosa de percussionistas brancos. Dançavam na rua, em ritmos que eles acreditavam ser tribais, eram vegetarianos, tinham poucos músculos e rumavam pra França no outono para colher frutas.

Foi com a mochila cheia de cerejas, um pote de geléia e dois pães integrais que Victor bateu à porta da irmã pela primeira vez. Voltava da França, onde morava com outra neo-hippie, quinze anos mais velha, para uma visita a seu país. Evitou a casa dos pais. Os pais deles eram velhos hippies reformados. Tinham deixado pra lá boa parte do que pregaram nos anos 60 e morriam de desgosto pelo genro punk e pelo filho cabeludo.

Victor tocou o timbre e conheceu Jordi. Se gostaram de imediato. Organizaram um belo jantar, com cerejas, geléia de cereja, pão integral e cidra barata, para esperar Patricia chegar do trabalho de babá. Trazer o irmão pra sua vida foi um dos momentos mais felizes da catalã. E eles conversaram horas ao som de reggae e ska.

Teria sido tudo muito imaculado, não fosse um dente do Victor cair no meio da ceia. Vida alternativa tem seus percalços. Frutas são cheias de açúcar e ninguém escova os dentes cada vez que colhe sei lá quantas cerejas. Era o terceiro dente que ele perdia até os 25 anos. Os outros eram manchados.

Os irmãos tinham dentes fracos, que julgavam ser herança de uma criação macrobiótica. Até os três anos de idade, Patricia nunca comeu um produto de origem animal. Nada. Zero. Um dia, a mãe se descuidou dela no meio do supermercado. Quando deu por si, encontrou a filha ao lado do balcão de peixes, com um filé de merluza gelado metido na boca. Incluiu proteínas na dieta dos filhos. Com o tempo, foi incluindo tantas coisas na vida que, finalmente, deixou de ser hippie.

A visita durou onze dias e ele foi embora pra França, mas os irmãos branquelos acabaram se encontrando alguma vezes durante aqueles anos de amor. Victor assistiu, mais de uma vez, Jordi em um de seus baixões, de volta à heroína ou prestes a reatar seu namoro com ela. Também o viu padecer de Aids. Nunca o julgou por nada, porque simplesmente não era de sua natureza julgar.

Ele era Jesus, que compartia o pão e a compreensão com as frutas que trazia na bolsa. Ele era Jesus com os cabelos longos como os da irmã e as sandálias de couro e batas de tecido cru. Não esticava a mão para cima pedindo misericórdia: abria os braços pros lados oferecendo luz. Bom, pelo menos acreditava nisso. Como Patricia se acreditava Maria. E Jordi se acreditava um anjo caído.

Ainda assim, Victor teve um choque inicial com a doença, e consigo mesmo. Naquela primeira ceia conheceu Jordi manchado de rosa e magro. Não precisou perguntar nada.  Parecia que o cunhado tinha as quatro letras escritas na testa e ele não conseguia parar de lê-las: AIDS.

Victor se pegou olhando as xícaras guardadas no armário e lavando-as, mesmo limpas antes de tomar qualquer coisa. Parou pra olhar a tampa do vaso antes da primeira cagada no apartamento da irmã e limpou a superfície muito bem antes de encostar as coxas no plástico. Ainda assim, sentou-se desconfortável.

Não dividiu um beque com o cara, não pediu uma bola. Fumou mais tarde, sozinho. Fumou sempre sozinho. Jordi nunca ofereceu o seu, nunca pediu o dele.

Aconteceu, no entanto, que muito rápido um milagre se instalou entre o punk e o hippie-cristo. Foram dias só, e Jordi deixou de ser Aids pra ser o fã de Sex Pistols, o cara que contava piadas ingênuas, o mestre no cultivo da erva mais apreciada por Victor, o cara magro e alto e moreno que encheu o apartamento de amor. Não tem como a riqueza do mundo de alguém, de qualquer um, perder a queda de braço com um vírus.  Assim como Patricia, Victor olhava para Jordi e era só isso o que via: Jordi.

Mas o tempo se instalou nessa estória de amor, e algumas coisas foram mudando. Essas mudanças não encontraram os freios da convenção, e caminharam livres, sem prestações para pagar, sem pressão da família, filhos pra criar e, muito, muito menos, aparências pra manter. Com o passar do tempo, Patricia foi-se cansando dos giros da roda na qual amarrou o próprio corpo. E se amarrou em parte porque não sabia mesmo pra que lado ir, e a roda malograda do Jordi lhe dava alguma direção, mesmo que não levasse a nenhum destino.

Amarrou-se a Jordi, um pouco, por cansaço. Agora, se cansava dele. E aquele amor ia chegar ao fim.

O fim do amor punk de Jordi e Patricia, quem diria, seria igual a todos os outros. Porque todos os amores parecem únicos, quando não são. E todos os fins parecem patéticos, por que são.

Ele a traiu com uma garota punk do País Basco que andava pra cima e pra baixo com um rato branco de estimação. Terminaram uma vez. Ela ficou com dois amigos dele, bebeu muita cidra pra fazer isso e não sentiu tesão nem ternura, transou como uma puta, em troca de vingança. Eles voltaram. Terminaram. Voltaram. Foram se machucando e se desrespeitando até que a dor resolvesse as coisas por eles.

Jordi foi-se embora aos 25 anos do apartamento que um dia tinha enchido de amor. Partiu com dez anos de Aids e mais que isso de heroína. Um dos homens mais fortes do mundo. Foi morar com outros punks numa das cavernas da ilha de Menorca, na costa espanhola, e namorou meninas que, como ele, também namoravam a heroína.

Patricia, aos 24 anos, decidiu terminar a faculdade. Voltou a pegar o metrô, continuou se sustentando com os trabalhos de babá e, alguns meses depois, conseguiu um estágio. Um estágio como professora na cadeia. Foi pra aula, no primeiro dia de trabalho, com a calça apertada, os cabelos vermelhos e sujos presos num rabo-de-cavalo, os olhos míopes ainda mais sonhadores e embaçados porque se esqueceu de limpar as lentes dos óculos de armação vermelha ou laranja. Chegou no portão do presídio, respirou muito fundo e se identificou sorrindo para entrar. Sabia que iria se apaixonar.

BritneySmokingJpg

Blogjob apresenta o corajoso relato de quatro amigas que embaragaram e no ano passado deram um basta: Desembarangando 2008! Aviso: este post é extremamente feminino, é totalmente mulherzinha, absolutamente sem freios!!

Como eu embaranguei e desembaranguei depois

Por Cynthia Garda

No final de 2007 eu morava na Argentina e a única coisa que fazia era trabalhar e comer bife de chorizo. Tava numa vida meio eremita lá na capital portenha, vida de eremita carnívora com direito a muitos papos excelentes regados a Malbec com minha prima Fernanda, que também morava lá na época. Eu fui para a Argentina passar um mês, mas o trabalho foi prolongando a minha estada aos poucos. Mais um mês, mais um mês…  e passaram-se seis.

Sem me dar conta, estava vivendo com roupas puídas levadas para serem usadas repetidamente por quatro semanas (não 36), usava um corte de cabelo meio errado (bem errado) e não tomava sol há seis meses (foi um dos piores invernos da História por lá). Quando cheguei no aeroporto de Natal para visitar a família, parei na frente do meu pai e ele não me reconheceu. De verdade, o seu Garda ficou desviando a cara para a minha direita e a minha esquerda, me procurando entre os outros passageiros.

Eu não tinha percebido, foi um processo lento e silencioso, que havia começado ainda quando eu morava em São Paulo: eu tinha embarangado.

Embarangar é muito fácil. Você já deve ter assistido ou vivido o processo e ficou se perguntando o que estava acontecendo. Eu não sei porque a gente se deixa escapar, mas o fato é que é bem fácil se abandonar. Não tem nenhum mistério, de verdade. Vou dar a minha receita para embarangar (totalmente infalível): trabalhar mais que oito horas por dia, dia após dia.

Trabalhar demais embaranga. Eu provavelmente posso ser crucificada em praça virtual pública, mas acho trabalhar demais uma doença terrivelmente triste, e de todos os vícios do mundo, um dos mais perigosos para mim. E como qualquer vício, tem consequências físicas.

Bom, eu estava em transe, e despertei diante da situação insólita do meu pai não me ver no aeroporto e da minha mãe me pedir para fazer luzes, porque não me reconhecia com o cabelo quase castanho depois de seis meses sem tomar sol. Embaixo do Equador, sob o sol de Natal, comendo melão no café da manhã, nadando naquele mar morno que refresca, eu decretei: DESEMBARANGANDO 2008.

Decidi que 2008 era o ano de desembarangar, e nada mais. Objetivo único e prioridade máxima. Na dúvida, eu optaria pelo que atendesse melhor à minha meta declarada. Todo o resto tinha, no máximo, a chance de ser prioridade dois.

Parece simples? Não foi. Demorou umas semanas de pura disciplina. No começo foi esforço mesmo, mas a partir de certo ponto eu estava TOTALMENTE encantada com o processo de desembarangar. Acordar mais cedo (ou chegar mais tarde) para sair de casa mais bonita. Se ficava na dúvida por causa do horário, eu lembrava “desembarangando 2008”.

Minha vida passou a ter tempo para manicures, depilação, muita natação, luzes no cabelo, supermercado, cozinhar, roupas, sapatos, maquiagem. Todo mundo começou a perceber a mudança, e para cada pessoa que perguntava, eu explicava que 2008 era o ano de desembarangar. Cada elogio ganhava uma piscadela e eu repetia, “desembarangando 2008”. E assim, em meio a gargalhadas, as amigas foram aderindo… a Talita, adepta, foi quem sugeriu o tema de hoje. A Julia e a Cinthia (a Cassali, mesmo recém-chegada do Polo Norte) toparam na hora, porque criaram sua própria versão naquele ano.

Aliás, o ápice do meu desembarangamento foi num sábado, no salão de beleza com a Talita, quando eu tinha 40 minutos entre fazer as unhas e cortar o cabelo, e corri para a farmácia, porque li que creme para hemorróida era bom para diminuir olheira (a Talita óbvio, gargalhando enquanto eu corria). Cheguei no balcão e, sem ter a menor idéia do que comprar (felizmente não tenho hemorróidas) disse ao farmacêutico: “Quero creme para hemorróidas”. Ele me olhou meio cúmplice e me trouxe dois cremes. Eu perguntei qual era a diferença entre um e outro. “Anestésico, eu realmente recomendo o que tem anestésico”. Pensando na minha cara anestesiada, não hesitei: “Quero sem anestésico!” O farmacêutico fez uma careta. (Só a título de esclarecimento, além de meio humilhante, creme para hemorróidas não faz nada para as olheiras.)

Desembarangar vale para qualquer um, homem ou mulher, que se deixa perder no meio de tantos processos que nos puxam em tantas direções. Parece que a vida tá pedindo para a gente embarangar, entre pouco sono, ansiedade, e as horas do dia tomadas por metas que a gente nem sabe bem de quem são ou para o que servem, mas acredita piamente que são a prioridade da nossa vida. Para mim levou décadas até o ano em que decidi que minha prioridade era me sentir bonita. Dá sempre para escorregar na próxima esquina. E ainda tenho muito a aprender.

Eu acho que entre tantas voltas Históricas, eu pelo menos, precisei conquistar o meu direito de ser mulherzinha. Valeu cada minuto. E se por acaso me esquecer de novo de ficar bonita, bom, já aprendi a desembarangar. Desembarangando, um processo contínuo, diário, de grande prazer.

Como começa o embarangamento, e como ele acaba

Por Talita Di Iorio

O Desembarangamento, como se pode imaginar, começa com o Embarangamento. Assim, com letras maiúsculas, por serem processos complexos mundialmente reconhecidos, senhores. O Embarangamento começa com trabalhar de 10 a 12 horas por dia, estar constantemente estressada(o), comer só pizza e sanduíche e passar bem longe de fazer qualquer atividade física. Prazer, essa era eu.

Aí a Cynthia (a quem eu carinhosamente chamo de Roomie, porque nós dividíamos um apartamento) chegou da Argentina, e logo depois, de Natal. Foi como ver um Extreme Makeover Live. Mas a transformação foi muito além disso. Eu acompanhei de perto o processo de fabricação de luzes loiras, um corte de franja, manicures semanais no salão ou na nossa sala, roupas novas. Sair de casa arrumada, perfumada, radiante.

Tempos depois, conversando com a Julia – que também trabalhava 12 horas por dia – durante uma rara caminhada no parque, descobri que ela andava numa onda de rímel, pó bronzeador, pincéis. Creio ter ouvido a palavra “curvex” mais de uma vez, o que denota um estágio avançado do desembarangamento. (Você, pobre ignorante que não sabe o que é, recorra ao Google.)

Enquanto isso, no trabalho começo a reparar nas roupas novas da Cinthia (Assali, não é a Garda). Um vestidinho aqui, um salto ali. Ela conversa comigo sobre depilação a laser no café. Declarem estado de calamidade pública, isso é uma epidemia!

E eu morrendo de preguiça de me engajar num programa dessa magnitude, achei tudo muito bom, tudo muito bem, mas eu estava fora, obrigada. O pacote básico no salão já me consumia muito tempo.

Mas o processo começou, e eu não percebi. A Cynthia, necessário mencionar, cozinha muito bem. MUITO BEM. M-U-I-T-O B-E-M. Isso quer dizer que era ela quem cozinhava lá em casa (tema para outro post), e que eu comia absolutamente qualquer coisa que ela fizesse, com muito gosto. Pois ela chegou da Argentina sem poder ver carne por um bom tempo, e mandou ver nas comidas naturebas mais deliciosas da face da Terra. E eu comia, né? E fiquei viciada em quinua, grão de bico, berinjela. E isso, vocês devem imaginar, fez uma mudança grande no meu layout. Eu também tive que experimentar os muitos potes novos trazidos do free shop, assessorar compras de roupas e sapatos, rir com a teoria da loira do Itaim – combinação de tons de loiro em mechas finas, feitas em cabelos inevitavelmente chapados, usados tipicamente por moças habitantes dessa área -, contada pela Cynthia ao cabeleireiro a fim de evitar uma catástrofe capilar (por catástrofe leia-se a Cynthia porventura ficar parecida com uma loira patricinha do Itaim).

Não preciso dizer que, quando eu vi, já tinha começado com um hidratante aqui, uma roupa nova ali, um blush acolá. E devo admitir, correndo o risco de parecer fútil, que esse é um processo absolutamente necessário. Uma declaração de amor próprio e um atestado de não-desleixo com você mesma(o).

O processo de Desembarangamento me rendeu muito mais do que o visível. Me deu momentos incríveis de cumplicidade feminina e muitas, muitas gargalhadas. Cynthia e eu estávamos morando em San Francisco quando fomos ao Grand Canyon e a Las Vegas. Depois de chegar empoeiradas do trekking, nosso lado mulherzinha estava deliciosamente descontrolado. Passamos meia hora dentro de uma farmácia discutindo shampoos e maquiagem. Compartilhamos o melhor esfoliante facial da Terra e trocamos de vestido quarenta vezes (embora, por comparação com o ambiente, estivéssemos elegantes até de pijama). E tomamos um Cosmopolitan reconhecendo a importância de tudo aquilo. ;)

Uma amiga sincera, um curso de maquiagem… e como eu tô gata!

Por Julia Crosman

Embarangar é mais que um processo físico, ou o literal enfeiar. É entrar em um estado de descaso com aquilo que te faz especial e diferente, sua personalidade. É ignorar seu corpo, sua beleza, sua saúde, sua cabeça.

Este post não é patrocinado pela Dove, e isto definitivamente não é a campanha pela real beleza, mas depois de passar pelo meu projeto desembarangando, acho que todo mundo merece ter essa sensação.

Como a Cynthia explicou, 2008 foi o ano do desembarangando para mim também. As metas eram muito ambiciosas, eu queria o pacote completo óbvio: magra, malhada, pele boa e cabelo cheio, guarda roupa novo, tempo para salão. Enfim, capa da nova em dezembro, maquiagem e cabelo do Marco Antonio Di Biaggi, sexy outfit. Mas foram mesmo dois eventos que acionaram o meu switch de embarangando para desembarangando.

O primeiro foi um feedback no trabalho de uma amiga muito querida e na época minha chefe. Com a sensibilidade que só ela sabe ter as vezes, ela me deu um dos toques da vida sobre estilo/como se vestir pro trabalho/atitude. Não que eu fosse desarrumada ou qualquer coisa assim, muito pelo contrário. Mas como provavelmente diria Constanza Pascolato, roupa não é tudo, né? Quando você tem estilo, sabe o que te valoriza e sabe fazer a roupa trabalhar pra você, a coisa muda de figura.

Saí então numa busca, como Indiana Jones, olhando meu guarda roupa e fazendo mil combinações, experimentando roupa em shopping, tentando achar o meu estilo. A experimentação começou e da mesma forma, os elogios e comentários positivos: eu tava mais bonita, mais radiante, tinha feito alguma coisa no cabelo? Até mais magra, bem mais magra. Tudo isso sem precisar gastar nenhum minuto em cima da esteira. PONTO PRA MIM!

Esse exercício já dura mais de um ano, e tô ficando melhor a cada dia. Já tenho loja preferida, roupa preferida (vestidoooooooo porquê é versátil, feminino, arrumado e sexy pacas) e nunca mais sai de casa sem estar contente com o meu outfit final (mesmo naqueles dias em que eu vou ao supermercado quase de pijamas). Hoje em dia, amoooooo meu guarda roupa e sei exatamente o que me favorece.

O segundo evento também ficou conhecido como ilha de caras na chácara Santo Antônio. Quatro amigas do trabalho foram fazer um curso de maquiagem… e eu nunca mais fui a mesma. Nunca mais saí de casa sem pó, blush e rímel, muito rímel (porque rímel abre o olhar inclusive metaforicamente).

Já no dia seguinte ao curso na chácara, estávamos todas no trabalho, com todos os truques aprendidos, e choveram elogios. E se engana quem pensa que a gente foi trabalhar feito bozo, viu? Maquiagem é um bicho controverso, eu sei, mas eu juro que quando não há exagero, nao há controvérsia para o fato de que ela acentua a beleza de cada uma.

Minha maquiagem sofisticou-se, ganhou novos pincéis, sombras cremosas, olhos esfumaçados e novos produtos (como vivi tantos anos sem corretivo eu não sei). Virou tópico de consultoria entre outras amigas, já me peguei até maquiando para eventos (ou carinhas) especiais, com 100% de aproveitamento. E toda vez que eu saio e me olho no espelho, maaaaaaaaaaadreeeeeeeeeee, como eu tô gata! XD

Desembarangando para viagem

Por Cinthia Assali

Eu não poderia de deixar de escrever pelo menos algumas linhas sobre o Desembarangando 2008, o projeto que mudou para melhor o visual e a disposição para cuidar de si mesma de um grupo de amigas.

As três já contaram como e quando o projeto começou, eu me engajei entre o novo corte de cabelo da Cynthia e o curso de maquiagem da Julia, que, sim, foi uma grande mudança nas nossas vidas.

Para ter idéia do tamanho da mudança eu cruzei a Rússia dentro de um trem por 6 dias, sem chuveiro, mas com rímel nos olhos.  E se você acha que minha jaqueta de neve combina com minhas botas de trekking e minhas luvas por mera coincidência está muito enganado. Há que se manter o estilo até mesmo no Polo Norte e, acredite, não dá trabalho nenhum, além de você sair ótima nas fotos.

Mas a melhor parte do projeto não foram os elogios ou as dicas de maquiagem que agora somos nós que damos, mas o sentimento de se sentir bem consigo mesma e não ter vergonha nenhuma de carregar um kit de maquiagem na mochila de alpinismo. Sem esquecer o ponto principal e fundamental, o apoio que demos umas com as outras e que não deixam que a gente se descuide. Sempre, sempre lembro do Desembarangando 2008 quando olho para o espelho e me sinto o máximo, mesmo que seja o retrovisor do jipe.

Eu tô enrolando para escrever sobre o Burning Man desde que voltei, no dia 7 de setembro. O fato é que não sei por onde começar, mas vou abrir aqui por completo uma das experiências mais perfeitas que já tive.

2009_09_burningmanTodo mundo comenta que o Burning Man é difícil de explicar. É mesmo. Eu posso começar dizendo que no meio do nada, no deserto de Nevada, há uma praia de areia, sem elevações no terreno, onde só existe areia e a luz do sol ou da lua ou das estrelas. Uma vez por ano, entre 40 e 50 mil pessoas vão para lá e do zero constroem uma cidade. Então, para começar, o Burning Man é uma cidade que existe por 8 dias do ano.

P9050200A cidade tem formato de meia lua, com ruas divididas por letras e números e, com toda sinceridade, é muito parecida, conceitualmente, com o Plano Piloto de Brasília. Só as asas, sem o corpo do avião. Mas os blocos formados entre as ruas têm acampamentos, com barracas e vans, ocupados por pessoas fantasiadas, algumas peladas. Cada um fica do jeito que bem entender. E para se locomover por lá, todo mundo usa bicicletas – carros convencionais são proibidos. A cidade, então, é cheio de gente fantasiada ou pelada andando de bicicleta ou pendurada em carros alegóricos.

P9040148No centro da cidade, circundado pela meia lua de acampamentos, forma-se o que se chama oficialmente de “a praia”. Nessa praia artistas constroem instalações de arte, e quase todas podem ser adentradas ou no mínimo interagem perfeitamente com as luzes e a areia do deserto. A maioria das instalações é gigante. Além delas, centenas de carros-de-arte circulam dia e noite por lá, carregando pessoas em uma versão Mad Max de carros alegóricos com gente dançando música eletrônica. E há festas por todas as partes, para dançar a qualquer hora do dia ou noite.

Cube1As instalações de arte se transformam do dia para a noite, ganham muitas luzes, e a cidade e a praia se acendem quando o sol se apaga. As temperaturas mudam também. Podem ir de 4 a 50 graus no mesmo dia. Fora as tempestades de areia. São uma coisa meio brutal, e em função dela todos andam com máscaras ou bandanas e óculos de esquiar, no caso do encontro com a tempestade. Os dias ali se passam cobertos de areia, literalmente, e não adianta tomar banho. Minutos depois, você está ali, coberta de areia de novo.

Só vai ao Burning Man quem quer muito.

P9050245Na praia ficam o templo e o homem, e ambos são queimados no final do festival. Eles representam coisas diferentes. O homem, o Burning Man, representa a auto-expressão radical. O conceito está por todas as partes, nas fantasias, nos acampamentos temáticos, nas festas e, principalmente, nas instalações de arte. Quando o homem queima, no sábado (o festival começa na segunda), fogos de artifício cobrem a praia e todo mundo faz muito barulho.

O templo queima no mais absoluto silêncio no dia seguinte. Ao longo do Burning Man pessoas deixam mensagens cravadas a caneta na madeira do templo, a maioria mensagens a pessoas queridas que morreram. Outras são mensagens a coisas que queremos deixar ir embora.

Muito foi escrito sobre o Burning Man. A cidade em si é um feito semi-inexplicável. Nada pode ser comercializado, e você passa por acampamentos onde pessoas lhe oferecem bebidas, comidas, massagens. Passar vários dias sem sinal de telefone, internet ou dinheiro é muito transformador. Na sede do Google no vale do Silício, fotos do Burning Man cobrem as paredes de uma das copas do primeiro prédio da empresa. Em 1999, uma mensagem na página do Google avisava que, se algo quebrasse, demorariam para consertar, porque tava todo mundo no Burning Man (um professor de Standford publicou um artigo sobre a ligação do Burning Man e empresas de tecnologia no Vale do Silício).

O fato é: todo mundo tem algo a aprender ali. Eu acho que por isso é tão difícil de explicar. Porque é uma experiência totalmente coletiva e absolutamente pessoal. Chegando finalmente ao ponto, vou falar do que eu aprendi.

P9060272-1A gente passa a vida – ou a perde, como preferirmos – avaliando o que é bom ou ruim, o que vai dar certo ou errado. Principalmente, se estamos certos ou errados, se este passo é o certo, se vamos errar ou não, se as pessoas vão achar que erramos, se vão nos olhar com admiração ou pena, se vamos ter sucesso, se estamos na direção certa, se tomamos o melhor caminho.

E se não houver caminho certo? Se ninguém tiver que reconhecer nosso sucesso? Se a vida for só decidir fazer alguma coisa para expressar quem somos naquele momento e… compartilhar… e acaba nisso? Se for sobre o que sentimos juntos, ao invés do que sentimos sozinhos? Se for sobre o sorriso largo que você abre para um desconhecido e que retorna num sorriso que te ilumina a alma?

E se a vida for apenas uma questão de sorrir mais.

E se a vida for se abrir?

Eu vou para o Burning Man no ano que vem. E relendo o que escrevi, entendo porque todo mundo diz que é difícil explicar. Talvez eu não tenha explicado nada.

P9050183Vou tentar mais uma vez. O Burning Man é sobre liberdade. É sobre a liberdade de ser quem você é e deixar isso transparecer em cada pedaço de roupa que você usa ou não, em cada interação, em cada hora do dia. Imagina um dia depois do outro, somando oito, em que você não veste a fantasia para ir ao trabalho ou ao supermercado ou à festa fingindo que é o que não é?

O Burning Man é sobre ser livre e sobre deixar o outro ser, cruzando caminhos de bicicleta. Tudo em paz. Com 50 mil pessoas.

Em inglês, quando vamos dizer que alguém nos tira do sério, dizemos que a pessoa aperta os nossos botões. Eu não sei quais são todos os meus botões, e deve ser porque não brigo muito. O único botão que eu conheço e aperto eu mesma é o meu botão do foda-se. Fica embaixo do meu braço direito. De vez em quando, se estou em uma situação sem sentido e não posso fazer nada, aperto o botão. Sorrio na hora, tudo passa.

Quem dera todos os meus botões fossem como o botão do foda-se.  Ao longo da vida, algumas pessoas apertaram esses meus botões e me tiraram do sério. O tema de hoje é sugestão do Breno, provavelmente o maior especialista, com todo respeito, que conheço no assunto de relacionamentos com pessoas que perdem as estribeiras.

Acontece no trabalho. Esse é bem simples. É só eu achar ou ter-certeza-na-minha-cabeça que alguém está tentando me enrolar, ao invés de simplesmente dizer o que tem que ser dito. Além de pau da vida, fico confusa, porque não entendo quando alguém acha que com palavras pode desdizer o que nós dois sabemos. A gente se comunica uns 10% com palavras. Todo o resto a gente diz sem abrir a boca. Então eu fico irritada com a perda de tempo, e logo estou irritada com a “burrice” do interlocutor, que está perdendo sua vida e uma fração da minha tentando fazer um nó de palavras ao invés de simplesmente encarar o que está na sua frente e nós dois estamos vendo.

Ninguém enrola ninguém dizendo coisas. No máximo, duas pessoas decidem mentir para si juntas, por uma infinidade de razões (dava para escrever sobre isto por dias), e algumas dessas razões são profundas e complicadas e… Mas no trabalho? Levar isso para o trabalho? Não tem porque, eu penso sozinha na minha cabeça. Trabalho é simples. Nesses casos, a minha reação costuma ser a pior possível. Vomito em segundos tudo o que eu acho que não está sendo dito. E, claro, a outra pessoa não gosta, porque se quisesse dizer aquilo, não teria começado a elaborar verbalmente uma maneira de não-dizer. Se a pessoa continua, eu fico vermelha. Há relatos de que abro as narinas que nem um boi bravo. Reação pobre, que repito de novo e de novo. Digo que é uma reação ruim porque não leva a solução nenhuma. A outra pessoas olha para o touro bravo na frente dela e se defende. Pronto, a solução para o problema está ainda mais longe do que estava quando começamos a conversa.

angry_bullVou chamar esse de botão do touro. Esse botão eu conheço. Ainda assim, controlo pouco, embora cada vez mais. Imagina os botões que não entendo. E os que não conheço ainda?

Em 2007 passei quatro dias com um rolo que veio me visitar na Argentina. O primeiro dia foi ótimo, o segundo foi bom, no terceiro brigamos feio. Eu acho o conflito bom, saudável, mas não vejo a menor graça na alteração da briga, porque em geral não resolve nada. E precisar brigar no terceiro encontro com alguém que você está conhecendo, para mim, é coisa de maluco.

No quarto dia fizemos as pazes. Um mês depois nos encontramos de novo. Dois dias ótimos e… briga. Desta vez pior, mas parecida com a anterior. Concluímos os dois que simplesmente iríamos brigar para sempre. Decidimos ser apenas amigos. Hoje somos. Ainda assim, eu percebo que tá lá, um botão capaz de ser puxado a qualquer momento. Não tenho a menor idéia de que botão é esse. Vou chamá-lo de botão-interrogação-1.

dedo-tomadaMaluco todo mundo é. O que a gente chama de equilíbrio, de sensatez, é apenas um estado de paz com a nossa maluquice, saber reconhecer os botões e não querer ficar apertando. Maturidade a gente atinge ainda bebê, quando desiste de enfiar o dedo na tomada. E faz isso pro resto da vida, quando consegue.

Mas no encontro amoroso a gente já está desprovido de funções racionais básicas. Porque se a cabeça estivesse sob controle fazia as contas e o amor não acontecia, porque, como já disse várias vezes, o encontro amoroso é uma improbidade matemática. Logo, a jornada amorosa sempre vai incluir o potencial de que nos apertem ou de que apertemos muitos botões. O Cazuza disse que queria a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Eu também quero. Mas sei que é uma sorte.

Então, ao invés de querer alguém que nunca aperte meus botões, alguém que nunca perceba que eu sou doida e que eu nunca perceba que ele é doido também, quero apenas alguém que não esteja, a esta altura da vida, metendo o dedo na tomada.

Há poucos dias, eu me apaixonei. Foi à noite, no aquário da Academia de Ciências de São Francisco. Eu tive um momento de absoluta sedução, e quem me seduziu foi um peixe, o robalo gigante de lá. Ele deu uma aula de slow seduction, prova de que até os peixes entendem da coisa. Foi sem pressa.

A primeira cruzada de olhares foi minha iniciativa. Ele nadava tranquilo e lento, porque esse é um peixe lento, sem pressa. Passava de lado pelo vidro do aquário e eu acompanhei o olho dele. Foi quando ele parou seu nado lateral e, bem lentamente, virou o corpo grande para me encarar.

Eu fiquei contente e não conseguia desgrudar os olhos dele. Ele me fitou tempo suficiente para as pessoas em volta começarem a rir descontroladamente e a apontar para a gente, mas não tínhamos olhos para mais ninguém. Ficou lá me olhando o bastante para um amigo tirar a primeira foto com o telefone. Então virou o corpo e foi dar outra volta no aquário.

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Depois de completar um círculo, ele voltou. Dessa vez chegou mais perto, ficou mais tempo, e saiu de novo. Exibiu o corpo grande, o nado suave, sem esforço, e de novo veio em minha direção. A essa altura os dois já perdidos nos olhos um do outro, e os guardas se reunindo em volta do aquário, sem entender o que estava acontecendo, mas sem atrapalhar, porque nunca viram aquilo antes. O nome é slow seduction. E como ninguém tinha pressa, ele foi dar mais uma volta.

Eu fiquei parada. Sabia que ele voltaria. E voltou, mais algumas vezes. Até que os guardas não tiveram remédio a não ser me pedir par ir embora, porque o aquário já tinha fechado há algum tempo. Fui embora com cosquinhas na barriga.

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Amigos sugeriram que o robalo gigante pensou que eu era uma lagosta. Eu não vou pensar nisso. O fato é que sobram exemplos na natureza de slow seduction. É uma curtição imensa e cada bicho faz de um jeito.

Estes dias topei com um exemplo no youtube, apresentado por minha amiga Jane. Acho que o slow seduction tem várias vertentes musicais, dá para não parar mais de citá-las, então achei por bem começar com uma memorável, do Snoop Dogg. Chama-se Sensual Seduction. E só o fato de ter que diferenciar uma sedução por ser sensual mostra que a gente nem sempre se lembra disso, do mais básico da sedução. Porque os sentidos precisam de uns minutinhos para registrar as coisas, e muitos minutinhos para crescer em apreciação. Então na sedução fast food, os sentidos não têm tempo de registrar nem de apreciar, e o prazer diminui. Como mostrou meu robalo gigante, slow seduction pode ser puro instinto animal.

Com vocês, o cara, Snoop Dogg, fazendo um ode à sedução sensual, um mote mais que presente no movimento slow seduction.

Pelo fim da sedução fast food, estou lançando o slow seduction, movimento pela sedução lenta.

A gente anda se seduzindo tão rápido que não tem tempo nem de absorver nem de disfrutar mais da coisa. Como diz o Breno, “as pessoas não se divertem mais trepando”… nem seduzindo, eu digo. É preciso uma reação. Vamos jogar tomate nos apressados!

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Esse conceito de seduzir como quem prepara um hamburguer do Mcdonald’s – e depois comer como quem come um – só pode dar no que a comida do Mcdonald’s dá: não satisfaz, não nutre e em geral dá um bode depois da leve euforia que se sente nas primeiras mordidas. Se bobear causa parada cardíaca e câncer. Os apressados deviam pagar mais imposto e o McDonalds também. Porque estão todos nos deixando doentes e com cara de quem comeu e não gostou.

Tá com pressa? Para. Este post é um manifesto, então lê com calma. Slow seduction é o equivalente no mundo da sedução a uma reação aos mcdonald’s e afins, o movimento surgido em 1989 conhecido como slow food.

O manifesto do slow food pode ser facilmente traduzido para o slow seduction: “reagir à comida rápida e à vida rápida… e ao interesse cada vez menor das pessoas na comida que elas comem, de onde ela vem, no seu sabor e em como as nossas opções de comida afetam o resto do mundo”. É preciso saber comer. Para bom brasileiro, meia analogia basta.

De volta ao movimento, lançado originalmente em 1989 com um manifesto assinado por delegados de 15 países: “Que doses apropriadas de prazer sensual garantido e satisfação lenta e duradoura nos preservem do contágio da multidão que confunde frenesi com eficiência”. Não vamos nem mudar o texto, que é impecável. Estamos recolhendo assinaturas. É preciso voltar a se divertir.

Este movimento está apenas começando. Digo, aqui no Blogjob e no Coisa de Homem. Porque por aí encontram-se variadas manifestações, a maioria de escopo bem pessoal.

200px-Orgasmatron_SleeperÉ preciso lembrar que a comida tem gosto melhor quando se sente fome, e no caso da sedução, com o tempo a fome aumenta. Podem ser horas, minutos, dias… o fato é que todos aumentam a fome. E apreciar a comida, com todas as suas nuances, satisfaz mais. Cozinhá-la então…

Todo mundo para a cozinha, antes que a gente acabe, como na ficção científica Sleeper do Woody Allen, gozando só dentro do orgasmatron, em poucos minutos, e sem saber apreciar tudo o que faz esse momento muito maior.

Slow down.

E tomate nos apressados!

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